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O artigo a seguir foi preparado por três anos e inclui inúmeras entrevistas com médicos, cientistas, corporações e famílias que participaram ou estão a par do trabalho do Alphalearning Institute. Variações deste artigo têm sido publicadas em várias revistas, periódicos e jornais por todo o mundo.
Jules Marshall, seu autor, assistiu pela primeira vez a demonstração do Brainwave I em junho de 1992 numa conferência internacional sobre tecnologia de ponta e completou este artigo em 1995 depois de entrevistar dezenas de executivos, cientistas e famílias por toda a Europa e participar dos cursos com Kris e a família Van Es.
A Revolução Alphalearning
Texto de Jules Marshall e fotos de Floris Leeuwenberg
Copyright 1995: Jules Marshall / TCS
"O Computador é o novo guru" declara o inventor da última geração de brain machines. Afirma-
No Alphalearning Institute algo muito especial está realmente acontecendo. Especial, incrível, revolucionário -
Kris passou seus primeiros sete anos numa cadeira de rodas, depois que uma perda de oxigênio no nascimento a deixou com o córtex "incuravelmente arruinado com pequenas ilhas de uso", como o seu neurologista disse aos seus pais, Jan e Karin.
Kris está no décimo minuto da sua primeira sessão de 12 minutos com o Brainwave I quando ela solta um estranho grito. Ele é mais misterioso que frio; não tanto de dor como de liberação de angústia. Por 30 segundos, suas pequenas e encurvadas costas arquearam convulsivamente para fora da cadeira de rodas e ela chorou.
"Exatamente no tempo", comemoraram quando ela eventualmente relaxou. "Eu disse a vocês que a reação viria quando ela atingisse a linha verde". Os técnicos do Alphalearning faziam referência a uma das partes do programa Lotus, que controla a estação Brainwave.
Nós sete na sala de conferência nos olhamos, então olhamos Kris, e então nos olhamos novamente. O Brainwave I é um equipamento óptico-
Se mesmo apenas metade do que se diz do Alphalearning Institute é verdade, o Sistema Brainwave I, junto às técnicas do Alphalearning, chega, a pelo menos, uma revolução na educação e na medicina, oferecendo alívio e mais poderes a milhões.
Na melhor das hipóteses, o Brainwave oferece muito mais. Como uma espécie, nós estamos caminhando para fora da infância e entrando num grande tsunami de explosão de informações. Nas nossas vidas pessoais e profissionais, como indivíduos e como sociedade, é esperado que saibamos mais, sobre mais -
Como a informação é gerada e distribuída a uma velocidade crescente, o fator de limite tornou-
Mas ao menos metade do que é afirmado é verdade? Ou tudo? Ou nada? E como podemos decidir? A busca por respostas envolve uma jornada a "algum lugar no limiar entre a loucura, filosofia, medicina alternativa e ciência-
A jovem Kris oferece a nossa primeira oportunidade de investigação. Quando ela chegou no escritório do Alphalearning, ela estava salivando, sua cabeça oscilava incontrolavelmente enquanto os seus olhos viajavam sem foco. Todos esses sintomas estavam diminuídos depois de 1 hora -
Relaxada -
"A mudança é permanente e acumulativa", garantem os técnicos do Alphalearning Institute. "Com a prática regular com o Lotus (um dos softwares que controlam a estação Brainwave I) ela continuará melhorando. Nós a teremos utilizando o computador por conta própria em poucos meses".
Como uma menina deficiente de 7 anos chegou a usar o mesmo equipamento que grandes executivos usam para aprender a ler rápido, um pouco de história e informação são necessárias. Em um ponto o Alphalearning Institute é inflexível: "Isto não é um milagre, não somos Cristo. Nem isto é apenas uma máquina, mas um sistema. Ele pode te ensinar como despertar o seu cérebro, como aprender, para perceber que mudar é possível".
Humanos têm feito experimentos com o que chamamos "tecnologia do transe" por pelo menos 65.000 anos. Esta é a data dos primeiros indícios de que pessoas dançavam em torno das chamas de uma fogueira, criando um estroboscópio primitivo. Bater num tronco com uma rocha adicionava som e então você tinha o suficiente para alterar a sua consciência. Curandeiros e xamãs têm usado tal conhecimento desde sempre.
Há 5.500 anos, monges do Tibete refinaram o sistema transformando-
Mas ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo até em torno de 100 anos atrás, quando Richard Caton, cientista Inglês, descobriu que o cérebro emitia impulsos elétricos. Em torno de 1938, o médico Alemão Hans Berger conseguiu isolar uma onda cerebral, a então chamada onda Alpha, com uma frequência em torno de 7 a 10 Hertz (ciclos por segundo).
Assim como Caton, Hans Berger teve que usar agulhas em seus pacientes para conseguir uma leitura precisa. Mas ao contrário de Caton, Berger teve um número ilimitado de "cobaias" com as quais ninguém se importava com o que acontecia -
O próximo avanço na tecnologia do transe veio na década de 1970, quando Maharishi Mahesh Yogi começou a ensinar Meditação Transcendental. "A primeira forma de meditação que você poderia aprender sem se sentar numa rocha por 20 anos" dizem os pesquisadores do Alphalearning Institute, onde alguns trabalharam muito proximamente com Maharishi. Também durante os anos 70, a primeira máquina de luz e som foi construída na Califórnia, e o interesse cresceu na tentativa de ensinar as pessoas a gerarem ondas Alpha através de biofeedback.
Por que Alpha? Porque este é o estado de concentração relaxada, ou "despertar da lucidez". Tipicamente é uma onda em torno de 7 HZ -
Infelizmente, custava centenas de horas e muitos milhares de dólares para aprender como chegar a este ponto no qual você pode duplicar a onda Alpha. De fato, geralmente, o preço é "tudo"; e isto explica porque os gurus cobram para entregar os seus segredos, mas apenas um por um, durante anos. "Agora, o computador é o guru", aclamam no Alphalearning Institute.
A despeito do intenso interesse nas "brain machines" ou "mind machines", depois dos experimentos com monges Zen, estudantes e profissionais, Maxwell Cade -
O primeiro grande avanço do Instituto Alphalearning foi não se desviar com treinamentos de biofeedback e implantar diretamente as ondas desejadas. Desde o outono de 1992 os equipamentos e técnicas do Instituto têm sido capazes de diagnosticar -
Em apenas 12 minutos, um programa específico que controla o pulso de luzes douradas para os olhos e de um suave som estéreo para os ouvidos, traz as ondas cerebrais para um intervalo normal de funcionamento. Após isso, a programação neurolinguística (PNL) é usada para fixar este estado de equilíbrio. A PNL, descoberta por John Grinder, cria uma âncora mental permanente quando um comando ou cumprimento é dado por uma pessoa percebida como autoridade, em frente a outras pessoas e acompanhado de um toque ou reação física. Você se comportará desta maneira por toda a sua vida ou, ao menos, até que alguém mude isso.
Este insight nasceu da descoberta de um grupo de 40 consultores da Harley Street que trabalhavam no Regents Park College, em Londres, no verão de 1989. Procurando por uma cura para o vício do fumo, eles propuseram que se eles pudessem implantar no paciente o estado mental de Theta -
Depois de um período de três meses eles descobriram que em todos os casos era possível mudar os estados mentais instantaneamente -
Todos os estudos anteriores sobre atividade mental usaram pessoas com danos cerebrais, autistas ou outros casos semelhantes. O Alphalearning Institute, ao contrário, se associou com o escritório Europeu da American Management Association. Eles testaram 150 altos executivos de diversos países -
Um teste de quatro minutos de eletroencefalograma (EEG) foi desenvolvido para verificar a habilidade de ouvir e aprender, ler e aprender, fechar os olhos e relaxar, realizar cálculos e tomar decisões. A partir disto, o recém-
Usando um protótipo do Brainwave I os pesquisadores poderiam colocar os executivos no estado de ondas theta e levá-
"Então nós os colocamos em theta e dizemos 'Joãozinho, você pode ler para as pessoas -
É simples assim? "Sim, e este é o por que todas essas companhias vêm 'Meu Deus ! O quão rápido você pode treinar nossos executivos? Você pode treiná-
Por todo o ano de 1991, o Alphalearning Institute esteve presente por toda a Europa treinando 300 executivos de uma ampla gama de companhias, nacionalidades e idiomas, mantendo constante contato após o curso e registrando todos os efeitos ao longo do tempo. Na base destes estudos, três companhias -
A resposta foi sim para todas as perguntas. O Alphalearning podia melhorar o cérebro para assimilar mais informações e memorizá-
Jan Willem van den Brandhof, diretor de recursos humanos da ICL entrou em contato com o Alphalearning Institute em 1991 após ler um artigo sobre leitura dinâmica -
"Todas as respostas foram positivas, e todos estavam impressionados pelo que eles aprenderam", diz van den Brandhof. "No nosso mercado, a mudança é extremamente rápida -
"Assim como o fluxo de trabalho e a necessária produtividade aumentam, o nível de stress é um fator cada vez mais importante nos negócios. Se você tem à disposição simples técnicas para melhorar este quadro, estas são um excelente investimento. Acredito que o Alphalearning Institute desenvolveu um curso único -
Quais os tipos de funcionários poderiam se beneficiar deste curso em uma organização como a sua? "Gerentes, pessoal de venda e qualquer um que lide com muitas informações ou esteja sob stress -
O Instituto também fez experimentos com mais de uma pessoa usando o Brainwave simultaneamente, de maneira que elas pudessem ver as ondas cerebrais umas das outras reagindo à interação. Os resultados têm profundas implicações para o trabalho em equipe e, de fato, em qualquer relação interpessoal. Um exemplo simples e poderoso: o cérebro funciona simultaneamente como transmissor e receptor, logo um cérebro treinado pode influenciar o estado cerebral daqueles com os quais o seu dono está falando.
Uma demonstração disso veio durante uma semana de treinamento especial para uma família no Instituto. Jos van Es havia sido atropelado enquanto andava de bicicleta. Desde então, seu equilíbrio emocional ficou comprometido. Ele perdeu o seu paladar e olfato e a sua vida pessoal e profissional sofriam, junto com toda a família. Os quatro -
Depois do curso, todos os quatro podiam controlar as suas ondas cerebrais -
Mas a sua própria singularidade é um problema para o sistema Alphalearning. Ele é uma mistura eclética de ciência comprovada, pesquisa científica inédita, paraciência e filosofia oriental. Peter Selkirk, um executivo sênior da empresa Raychem UK diz, "Enquanto o topo dos diretores e gerentes da empresa (na Raychem Bélgica) assumiam as idéias do curso, aumentavam as preocupações sobre a sua aceitação. O quanto ele influenciaria? O quão longe a empresa Raychem decidiu ir? Este é um outro exemplo do medo que se encontra quando se vai além da ciência habitual.", diz Selkirk. "Não é simplesmente Luddism, mas o fato é que é muito difícil distinguir entre o charlatão e o inovador". (Luddism: Um grupo político de trabalhadores que entre 1811 e 1816 acreditava que a mecanização / industrialização diminuiria os empregos e se opuseram violentamente ao processo destruindo várias instalações industriais -
Raychem UK tomou as rédeas desse relacionamento e o próprio Selkirk fez o curso no início de 1994. "Entendo como eles se sentem. Entretanto o curso foi profundamente emocional e intelectual". Vinte pessoas então fizeram o curso no Reino Unido. Mas este curso não é uma tendência, como os habituais cursos de vendas. "Esta é uma das frustrações dos criadores do Alphalearning Institute, e é compreensível", diz Selkirk. "Óculos e fones de ouvido fazendo o seu cérebro melhor? Isso faz uma pessoa engolir a seco".
Mas Selkirk e a sua esposa Cornelia não tiveram tais dúvidas -
No verão de 1992, um jovem de 17 anos com paralisia suave na sua perna e mão direitas devido a uma queda aos três anos de idade participou do curso. Enquanto ele recebia treinamento de como equilibrar o se cérebro a 7 Hz, ele sentiu náuseas por 15 segundos e então relaxou completamente. Ao final da sessão de 12 minutos ele foi capaz de se equilibrar perfeitamente em qualquer pé e segurar firmemente com a sua mão direita.
Um sem número de estranhos e benéficos efeitos colaterais ocorreram e, apenas por divulgação entre conhecidos, os pais começaram a trazer as suas crianças com problemas. Mais de 60 já vieram até agora (1995). Em fevereiro de 1994, Harry Selkirk tinha apenas dois anos -
"Nós os colocamos no Lotus e houve uma melhora imediata", diz a mãe de Harry. Um tornozelo fortemente contraído para dentro para o qual os seus médicos sugeriram botas especiais, imediatamente passou para a posição normal. Sua salivação excessiva, para a qual seus terapeutas haviam sugerido exercitar áreas próximas às glândulas salivares, pareceu mais evidente mas desapareceu nos meses seguintes. "Nós precisamos usar o Lotus em nós mesmos, e Harry agora o usa três vezes por semana". Cornelia Selkirk agora trabalha com o sistema para avaliações. Ela é um dos mais de 30 instrutores ou especialistas em 12 países que começaram a trabalhar com o Alphalearning.
Harry Selkirk, 1 ano após a 1 a sessão com o Brainwave -
A resposta da comunidade médica foi chocante -
James, o segundo filho de Wendy Lee, nasceu em Zimbábue em abril de 1963. No seu parto ele teve apresentação de face, ficou preso atrás da pélvis de sua mãe e finalmente nasceu com sangue escorrendo de seu nariz e ouvidos, tendo uma depressão em um dos lados da sua cabeça. De volta ao Reino Unido os médicos do Wolfson Centre confirmaram que a seção motora do seu cérebro havia sido danificada -
James cresceu lidando com problemas emocionais associados com o fato de que ele se recusava a aceitar as suas deficiências e se envergonhava pela sua maneira de caminhar, sua fala enrolada e a sua inabilidade de melhorar a sua parte motora, como escrever. Um encontro com o Alphalearning foi organizado pela sua mãe, levando James para Maastricht. A Sra. Lees escreveu posteriormente toda a história e a enviou para o Alphalearning como um agradecimento.
"Nos disseram (no Alphalearning) que se fosse o caso de alguma melhora, ela seria perceptível em horas. Nós deixamos o Instituto no início do anoitecer e mantínhamos o olhar em James. Mais tarde fomos a um restaurante com alguns amigos que haviam vindo ao Instituto conosco com o seu filho Nick. Yvonne disse que ela pensava estar ouvindo James falar mais claramente. Eu e John também havíamos reparado e ficamos assustados que outra pessoa tenha sido a primeira a apontar alguma melhora."
"No entanto nós não esperaríamos mais que um dia para uma prova conclusiva. Depois de tratamentos adicionais, no caminho para casa, nós estávamos no Aeroporto Schiphol se aproximando de uma grande escada rolante descendente e, como sempre, segurando James para equilibrá-
Por que quase a totalidade dos pais mantêm silêncio? De fato, por que o Sistema Alphalearning não é mais amplamente conhecido? Cornelia Selkirk diz que eles mantêm silêncio por medo de fazer perder o progresso de seu filho. Para o Alphalearning Institute, a pergunta é mais complexa.
Quando se tornou mais claro que o que se iniciou apenas como uma maneira de ensinar executivos a lerem mais rápido havia se tornado uma explosiva revolução médica, o Instituto teve que decidir qual era o seu ramo profissional. "Há 200.000 pessoas trabalhando no negócio de dislexia apenas nos USA". "O que eles irão dizer quando nós contarmos a eles que a dislexia não existe?". Tendo feito uma primeira explanação de algumas das suas descobertas num encontro fechado sobre psicologia de transe na América, em 1990, o Alphalearning Institute foi avisado que ele teria que provar suas alegações antes de fazê-
O Alphalearning Institute se propôs a testar o sistema em mais 500 pessoas, com pelo menos mais 1.000 EEGs antes de dizer qualquer coisa. A 500a pessoa passou pelo sistema no verão de 1995, pouco antes do Alphalearning Institute ir à público. "Prova" é um conceito complexo -
O Professor Rainer Dieterich, psicólogo e decano da Bundeswehr University em Hamburgo é um dos poucos acadêmicos explorando o Brainwave I (ele tem duas estações no seu laboratório). Ele acha a abordagem do Alphalearning promissora, não sendo ligada a teorias específicas e não influenciada por qualquer ideologia -
Se você entrevista cientistas, eles têm por profissão o ceticismo. Se eles vissem as alegações do Alphalearning Institute, eles tentariam confirmar se elas são verdadeiras ou falsas. Poderiam ser falsificações? Dieterich concede que poderiam, "Mas eu não tenho qualquer indicação de que sejam falsas. Ele me dá os seus dados e não tem vantagem em me fazer acreditar. Eu acredito nele? Sim, por que não? Eu tenho observado alguns de seus sucessos e participei duas vezes em seu curso de 5 dias -
"Mas eu tenho que ser sistemático e ter uma teoria que seja consistente com ela própria. Se o Alphalearning Institute precisa de uma teoria com boa lógica interna e prova experimental, nós poderíamos oferecer isso. Não há nada nos experimentos do Instituto que seja teoricamente implausível".
Saskia Egeler-
Peter Selkirk, da companhia Raychem aponta que há "um universo de alegações pelo mundo, e é quase impossível dizer o que tem valor e o que não tem -
Selkirk teme o dano que poderia ser causado por uns poucos exageros na tendência de provar e medir tudo. "Muitas das mudanças experimentadas são inerentemente difíceis de provar, fazendo disso um jogo fácil para intrigas. A tecnologia já é poderosa o suficiente sem entrar neste mérito". A verdadeira medida do Alphalearning, diz Selkirk, é com os seus clientes -
"Você pode dizer que isto não deveria funcionar", diz o diretor de pesquisas do Alphalearning, "e francamente, eu tenho uma pequena idéia de como acontece. Mas você não pode dizer que não funciona -
É importante que a sociedade leve as alegações do Alphalearning Institute seriamente simplesmente porque, se são verdade, elas realmente representam uma nova área de tratamento médico e educação. Muitas condições que são atualmente difíceis de tratar -
E, numa era de stress, violência e destruição ecológica crescentes, poderíamos todos usar alguma sabedoria.
Jules Marshall é um escritor de tecnologia e cultura, assim como um designer de multimidia que vive em Amsterdam. Como editor da MEDIAMATIC e escritor do magazine WIRED, ele também tem sido publicado em ELLE, THE GUARDIAN (UK), SYDNEY MORNING HERALD (Austrália), WIENER (Alemanha) e COURRIER INTERNATIONAL (França).
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