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A Revolução Alphalearning

 
 

O artigo a seguir foi preparado por três anos e inclui inúmeras entrevistas com médicos, cientistas, corporações e famílias que participaram ou estão a par do trabalho do Alphalearning Institute. Variações deste artigo têm sido publicadas em várias revistas, periódicos e jornais por todo o mundo.

Jules Marshall, seu autor,  assistiu pela primeira vez a demonstração do Brainwave I em junho de 1992 numa conferência internacional sobre tecnologia de ponta e completou este artigo em 1995 depois de entrevistar dezenas de executivos, cientistas e famílias por toda a Europa e participar dos cursos com Kris e a família Van Es.

 

A Revolução Alphalearning

Texto de Jules Marshall e fotos de Floris Leeuwenberg

Copyright 1995: Jules Marshall / TCS


"O Computador é o novo guru" declara o inventor da última geração de brain machines. Afirma-se que o seu novo equipamento alivia e mesmo cura um amplo espectro de desordens cerebrais - dislexia, autismo, TDAH (Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade) e até danos cerebrais - depois de uma sessão tão curta como 20 minutos. E também é dito que alcança melhoras rápidas e dramáticas em inteligência e velocidade de leitura, controle do stress e performance esportiva, através da estação  Brainwave.

 
 

   No Alphalearning Institute algo muito especial está realmente acontecendo. Especial, incrível, revolucionário - até mesmo assustador.

Kris passou seus primeiros sete anos numa cadeira de rodas, depois que uma perda de oxigênio no nascimento a deixou com o córtex "incuravelmente arruinado com pequenas ilhas de uso", como o seu neurologista disse aos seus pais, Jan e Karin.

Kris está no décimo minuto da sua primeira sessão de 12 minutos com o Brainwave I quando ela solta um estranho grito. Ele é mais misterioso que frio; não tanto de dor como de liberação de angústia. Por 30 segundos, suas pequenas e encurvadas costas arquearam convulsivamente para fora da cadeira de rodas e ela chorou.

"Exatamente no tempo", comemoraram  quando ela eventualmente relaxou. "Eu disse a vocês que a reação viria quando ela atingisse a linha verde". Os técnicos do Alphalearning faziam referência a uma das partes do programa Lotus, que controla a estação Brainwave.

Nós sete na sala de conferência nos olhamos, então olhamos Kris, e então nos olhamos novamente. O Brainwave I é um equipamento óptico-acústico  junto a um aparelho de eletroencefalograma de treinamento cerebral - uma brain machine ou mind machine. O que nós acabáramos de testemunhar foi uma cirurgia cerebral com luzes e sons. E esta é apenas uma das suas possibilidades.

Aqui nós temos uma tecnologia que afirma aumentar o QI de 10 a 30%, que duplica ou triplica a velocidade de leitura e ensina qualquer pessoa a controlar os seus estados mentais com uma precisão que previamente requeria de 15 a 20 anos de prática de meditação - tudo isso num curso de 5 dias. Uma tecnologia que cura aflições de dislexia e autismo a depressão, TDAH e mesmo desordens físicas. E que pode também aumentar expressivamente a performance esportiva, como do golfe por exemplo.


Se mesmo apenas metade do que se diz do Alphalearning Institute é verdade, o Sistema Brainwave I, junto às técnicas do Alphalearning, chega, a pelo menos, uma revolução na educação e na medicina, oferecendo alívio e mais poderes a milhões.

Na melhor das hipóteses, o Brainwave oferece muito mais. Como uma espécie, nós estamos caminhando para fora da infância e entrando num grande tsunami de explosão de informações. Nas nossas vidas pessoais e profissionais, como indivíduos e como sociedade, é esperado que saibamos mais, sobre mais - e mais rapidamente - que qualquer outra época anterior. A própria mudança está acelerando.

Como a informação é gerada e distribuída a uma velocidade crescente, o fator de limite tornou-se o nosso próprio cérebro. Em qualquer circunstância, o mundo precisará de pessoas mais sábias e menos estressadas. Nós estamos nos aproximando de um estrangulamento para o qual o sistema Alphalearning poderia oferecer uma passagem segura - uma que inúmeros executivos seniores de várias companhias listadas entre as 500 da Fortune já tomaram durante seis anos de desenvolvimento.

Mas ao menos metade do que é afirmado é verdade? Ou tudo? Ou nada? E como podemos decidir? A busca por respostas envolve uma jornada a "algum lugar no limiar entre a loucura, filosofia, medicina alternativa e ciência-que-não-entendemos-ainda" nas palavras de um executivo que fez o curso.

 
 

A jovem Kris oferece a nossa primeira oportunidade de investigação. Quando ela chegou no escritório do Alphalearning, ela estava salivando, sua cabeça oscilava incontrolavelmente enquanto os seus olhos viajavam sem foco. Todos esses sintomas estavam diminuídos depois de 1 hora - a primeira sessão.

Relaxada - o oposto de como ela normalmente era com estranhos - com uma respiração mais contínua, movimentos dos braços e das pernas mais controlados e sua coluna ereta. "Ela está se desenrolando como uma bobina em espiral", nas palavras de sua mãe. "É lindo".

"A mudança é permanente e acumulativa", garantem os técnicos do Alphalearning Institute. "Com a prática regular com o Lotus (um dos softwares que controlam a estação Brainwave I) ela continuará melhorando. Nós a teremos utilizando o computador por conta própria em poucos meses".

Como uma menina deficiente de 7 anos chegou a usar o mesmo equipamento que grandes executivos usam para aprender a ler rápido, um pouco de história e informação são necessárias. Em um ponto o Alphalearning Institute é inflexível: "Isto não é um milagre, não somos Cristo. Nem isto é apenas uma máquina, mas um sistema. Ele pode te ensinar como despertar o seu cérebro, como aprender, para perceber que mudar é possível".

 
 

Humanos têm feito experimentos com o que chamamos "tecnologia do transe" por pelo menos 65.000 anos. Esta é a data dos primeiros indícios de que pessoas dançavam em torno das chamas de uma fogueira, criando um estroboscópio primitivo. Bater num tronco com uma rocha adicionava som e então você tinha o suficiente para alterar a sua consciência. Curandeiros e xamãs têm usado tal conhecimento desde sempre.

Há 5.500 anos, monges do Tibete refinaram  o sistema transformando-o numa roda giratória de oração através da qual uma chama bruxuleava enquanto um monge falava ao ouvido do noviço e um outro batia um tambor. Estava claro, mesmo então, que baixas frequências de luzes piscantes e sons proporcionavam que as pessoas se acalmassem e aprendesses melhor.

Mas ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo até em torno de 100 anos atrás, quando Richard Caton, cientista Inglês, descobriu que o cérebro emitia impulsos elétricos. Em torno de 1938, o médico Alemão Hans Berger conseguiu isolar uma onda cerebral, a então chamada onda Alpha, com uma frequência em torno de 7 a 10 Hertz (ciclos por segundo).

Assim como Caton, Hans Berger teve que usar agulhas em seus pacientes para conseguir uma leitura precisa. Mas ao contrário de Caton, Berger teve um número ilimitado de "cobaias" com as quais ninguém se importava com o que acontecia - Judeus. O ponto de Berger era isolar a "onda do aprendizado". Os nazistas queriam saber como eles poderiam ensinar os soldados a usarem todo o novo e moderno equipamento militar mais rapidamente e fazerem exatamente o que eles eram ordenados a fazer. Por sorte, Berger não tinha idéia de como replicar ou ensinar aos soldados a gerarem esta onda por vontade própria.

O próximo avanço na tecnologia do transe veio na década de 1970, quando Maharishi Mahesh Yogi começou a ensinar Meditação Transcendental. "A primeira forma de meditação que você poderia aprender sem se sentar numa rocha por 20 anos" dizem os pesquisadores do Alphalearning Institute, onde alguns trabalharam muito proximamente com Maharishi. Também durante os anos 70, a primeira máquina de luz e som foi construída na Califórnia, e o interesse cresceu na tentativa de ensinar as pessoas a gerarem ondas Alpha através de biofeedback.

Por que Alpha? Porque este é o estado de concentração relaxada, ou "despertar da lucidez". Tipicamente é uma onda em torno de 7 HZ - em torno de 50 por cento mais lenta que o estado normal de alerta. Ela proporciona concentração total: perfeita para ler, ouvir e outras formas de receber informações. Também facilita e sincronização dos hemisférios cerebrais esquerdo e direito. Esta sincronia, como descobriram os pesquisadores Charles Stroebel e Lester Fehmi da Universidade de Princeton, é um estado extremamente poderoso e benéfico para se estar. Ele está envolvido em cura rápida e normalização das funções corporais, e aumenta as taxas de aprendizado e controle do stress. Ao que parece, um cérebro equilibrado significa corpo e mente equilibrados.

Infelizmente, custava centenas de horas e muitos milhares de dólares para aprender como chegar a este ponto no qual você pode duplicar a onda Alpha. De fato, geralmente, o preço é "tudo"; e isto explica porque os gurus cobram para entregar os seus segredos, mas apenas um por um, durante anos. "Agora, o computador é o guru", aclamam no Alphalearning Institute.

A despeito do intenso interesse nas "brain machines" ou "mind machines", depois dos experimentos com monges Zen, estudantes e profissionais, Maxwell Cade - autor do livro The Awakened Mind - e Michael Hutchison no seu livro "Megabrain" concordam: demora de 15 a 20 anos de prática para se gerar ondas Alpha por comando próprio.

O primeiro grande avanço do Instituto Alphalearning foi não se desviar com treinamentos de biofeedback e implantar diretamente as ondas desejadas. Desde o outono de 1992 os equipamentos e técnicas do Instituto têm sido capazes de diagnosticar - dentro de 10 minutos - qualquer desequilíbrio entre os hemisférios esquerdo-direito, ondas de amplitude extremas e lapsos de controle.

Em apenas 12 minutos, um programa específico que controla o pulso de luzes douradas para os olhos e de um suave som estéreo para os ouvidos, traz as ondas cerebrais para um intervalo normal de funcionamento. Após isso, a programação neurolinguística (PNL) é usada para fixar este estado de equilíbrio. A PNL, descoberta por John Grinder, cria uma âncora mental permanente quando um comando ou cumprimento é dado por uma pessoa percebida como autoridade, em frente a outras pessoas e acompanhado de um toque ou reação física. Você se comportará desta maneira por toda a sua vida ou, ao menos, até que alguém mude isso.

Este insight nasceu da descoberta de um grupo de 40 consultores da Harley Street que trabalhavam no Regents Park College, em Londres, no verão de 1989. Procurando por uma cura para o vício do fumo, eles propuseram que se eles pudessem implantar no paciente o estado mental de Theta - 3 Hz - e mantê-lo por tempo suficiente, eles poderiam levá-lo ao primeiro cigarro e perguntar por que ele foi fumado e se esta ainda seria uma razão válida para continuar fumando.

Depois de um período de três meses eles descobriram que em todos os casos era possível mudar os estados mentais instantaneamente - em poucos segundos. Até então, todos nesta área acreditavam que isto levaria 20 minutos. Por essa concepção equivocada, se explicam as "inclinações" usadas por todas as outras brain machines, gradualmente aumentando ou diminuindo a frequência entre o estado de alerta e a frequência desejada - tornando impossível qualquer treinamento útil. Além disso, também era possível ensinar em apenas alguns dias a controlar por conta própria estes estados.

Todos os estudos anteriores sobre atividade mental usaram pessoas com danos cerebrais, autistas ou outros casos semelhantes. O Alphalearning Institute, ao contrário, se associou com o escritório Europeu da American Management Association. Eles testaram 150 altos executivos de diversos países - a descoberta foi que a técnica funcionava para todos, de qualquer nacionalidade ou sexo.

Um teste de quatro minutos de eletroencefalograma (EEG) foi desenvolvido para verificar a habilidade de ouvir e aprender, ler e aprender, fechar os olhos e relaxar, realizar cálculos e tomar decisões. A partir disto, o recém-formado Alphalearning Institute isolou as frequências precisas dentre várias frequências cerebrais para que o cérebro as aprendesse - Beta (14Hz, o estado de vigília, alerta e razoável que normalmente temos), Alpha (7Hz, percepção e aprendizado), Theta (3Hz, o estado de concentração e criatividade quando uma nova memória é feita ou uma antiga acessada) e Delta (1Hz, relaxamento, descanso, o estado usado para o controle da dor: não há dor em delta).

Usando um protótipo do Brainwave I os pesquisadores poderiam colocar os executivos no estado de ondas theta e levá-los de volta ao momento em que como crianças eles liam lentamente em voz alta e a professora vinha e parabenizava-os dizendo "Muito bem Joãozinho". "Deste ponto em diante - e todo mundo tem um - esta é a velocidade que você passará a ler. "PNL novamente". "Nós descobrimos uma correlação direta entre a velocidade da fala e da leitura de uma pessoa. Italianos leem em torno de 330 palavras por minuto, Holandeses a 220, Alemães a 280 - e Texanos a 180".

"Então nós os colocamos em theta e dizemos 'Joãozinho, você pode ler para as pessoas - esta é uma habilidade excelente. Agora você gostaria de aprender uma outra habilidade de leitura chamada 'ler para você mesmo'? " E eles respondem, 'sim, claro'. Então nós colocamos uma caneta em suas mãos e iniciamos um movimento em conjunto com um metrônomo e dizemos a eles que tudo o que eles têm a fazer para ler naquela velocidade é, quando eu disser 'um, dois, três' e estalar os meus dedos, simplesmente ler. E eles leem. Setecentas palavras por minuto, com uma compreensão incrível.

É simples assim? "Sim, e este é o por que todas essas companhias vêm 'Meu Deus ! O quão rápido você pode treinar nossos executivos? Você pode treiná-los a tomar notas? Controlar stress? Serem mais criativos? Parar de roer as unhas? ' Bem, eles jogam o inferno em mim, mas eu digo que tentaremos", contam os técnicos do Alphalearning Institute.

Por todo o ano de 1991, o Alphalearning Institute esteve presente por toda a Europa treinando 300 executivos de uma ampla gama de companhias, nacionalidades e idiomas, mantendo constante contato após o curso e registrando todos os efeitos ao longo do tempo. Na base destes estudos, três companhias - Raychem, ICL Benelux e Henkel - assinaram um contrato para sessões mais extensas de treinamento. Eles ofereceram as "cobaias": executivos com QIs de 120 a 180. O Alphalearning Institute os experimentaria e os treinaria.

A resposta foi sim para todas as perguntas. O Alphalearning podia melhorar o cérebro para assimilar mais informações e memorizá-las e velhos hábitos podiam ser reprogramados. Em Delta as pessoas podiam dominar a dor - e havia um grande número de outras aplicações.

Jan Willem van den Brandhof, diretor de recursos humanos da ICL entrou em contato com o Alphalearning Institute em 1991 após ler um artigo sobre leitura dinâmica - seu interesse particular. Desde então, 40 dos 650 funcionários têm sido treinados - todo o alto escalão administrativo e alguns dos vendedores.

"Todas as respostas foram positivas, e todos estavam impressionados pelo que eles aprenderam", diz van den Brandhof. "No nosso mercado, a mudança é extremamente rápida - a quantidade de informação duplica a cada dois anos. É da maior importância aprender rápido e absorver muitas informações rapidamente. Saber aprender é a chave"

"Assim como o fluxo de trabalho e a necessária produtividade aumentam, o nível de stress é um fator cada vez mais importante nos negócios. Se você tem à disposição simples técnicas para melhorar este quadro, estas são um excelente investimento. Acredito que o Alphalearning Institute desenvolveu um curso único - não é aquele curso padrão de leitura dinâmica".

Quais os tipos de funcionários poderiam se beneficiar deste curso em uma organização como a sua? "Gerentes, pessoal de venda e qualquer um que lide com muitas informações ou esteja sob stress - e se você olhasse para a minha empresa, isso era praticamente todos", diz van den Brandhof.

O Instituto também fez experimentos com mais de uma pessoa usando o Brainwave simultaneamente, de maneira que elas pudessem ver as ondas cerebrais umas das outras reagindo à interação. Os resultados têm profundas implicações para o trabalho em equipe e, de fato, em qualquer relação interpessoal. Um exemplo simples e poderoso: o cérebro funciona simultaneamente como transmissor e receptor, logo um cérebro treinado pode influenciar o estado cerebral daqueles com os quais o seu dono está falando.

 
 

Uma demonstração disso veio durante uma semana de treinamento especial para uma família no Instituto. Jos van Es havia sido atropelado enquanto andava de bicicleta. Desde então, seu equilíbrio emocional ficou comprometido. Ele perdeu o seu paladar e olfato e a sua vida pessoal e profissional sofriam, junto com toda a família. Os quatro - Jos, sua esposa Marianne e os filhos Nancy, 19 e Jurgen, 22 -  foram informados de como o cérebro funcionava e o quanto podiam prejudicar um ao outro. Então eles fizeram o curso: uma semana intensiva que claramente foi desafiante emocional e filosoficamente para eles - sem mencionar quando foi removido um "cisto" de energia bioelétrica de Jos no quarto dia, dissipando-a pelo seu próprio corpo. O "cisto" é um bloqueio dos condutores de energia elétrica do corpo há muito conhecido pela Medicina Chinesa como " chi'i ". A existência destes condutores foi recentemente confirmada pelos neurologistas ocidentais.

Depois do curso, todos os quatro podiam controlar as suas ondas cerebrais - e ver auras, outro estranho efeito do curso. Eles estão plenamente convencidos que estão melhor preparados para lidar com as emoções da vida familiar e, o paladar e olfato de Jos começaram a retornar.

Mas a sua própria singularidade é um problema para o sistema Alphalearning. Ele é uma mistura eclética de ciência comprovada, pesquisa científica inédita, paraciência e filosofia oriental. Peter Selkirk, um executivo sênior da empresa Raychem UK diz, "Enquanto o topo dos diretores e gerentes da empresa (na Raychem Bélgica) assumiam as idéias do curso, aumentavam as preocupações sobre a sua aceitação. O quanto ele influenciaria? O quão longe a empresa Raychem decidiu ir? Este é um outro exemplo do medo que se encontra quando se vai além da ciência habitual.", diz Selkirk. "Não é simplesmente Luddism, mas o fato é que é muito difícil distinguir entre o charlatão e o inovador".  (Luddism: Um grupo político de trabalhadores que entre 1811 e 1816 acreditava que a mecanização / industrialização diminuiria os empregos e se opuseram violentamente ao processo destruindo várias instalações industriais - e de fato provocando o que queriam evitar: a diminuição do emprego).

Raychem UK tomou as rédeas desse relacionamento e o próprio Selkirk fez o curso no início de 1994. "Entendo como eles se sentem. Entretanto o curso foi profundamente emocional e intelectual". Vinte pessoas então fizeram o curso no Reino Unido. Mas este curso não é uma tendência, como os habituais cursos de vendas. "Esta é uma das frustrações dos criadores do Alphalearning Institute, e é compreensível", diz Selkirk. "Óculos e fones de ouvido fazendo o seu cérebro melhor? Isso faz uma pessoa engolir a seco".

Mas Selkirk e a sua esposa Cornelia não tiveram tais dúvidas - não desde que o seu filho Harry passou pelo Brainwave I, uma ocasião que mudaria totalmente o rumo das pesquisas do Alphalearning Institute.

No verão de 1992, um jovem de 17 anos com paralisia suave na sua perna e mão direitas devido a uma queda aos três anos de idade participou do curso. Enquanto ele recebia treinamento de como equilibrar o se cérebro a 7 Hz, ele sentiu náuseas por 15 segundos e então relaxou completamente. Ao final da sessão de 12 minutos ele foi capaz de se equilibrar perfeitamente em qualquer pé e segurar firmemente com a sua mão direita.

Um sem número de estranhos e benéficos efeitos colaterais ocorreram e, apenas por divulgação entre conhecidos, os pais começaram a trazer as suas crianças com problemas. Mais de 60 já vieram até agora (1995). Em fevereiro de 1994, Harry Selkirk tinha apenas dois anos - inexistia assim qualquer temor de um efeito placebo. Ele foi trazido para uma sessão no Reino Unido no mesmo dia em que um novo conjunto de LEDs especiais para os óculos chegaram da Hewlett Packard. Por algum tempo, suspeitava-se que a frequência da luz usada - a mesma da luz mais intensa de uma chama - faria diferença; isto tornaria as mudanças permanentes.

"Nós os colocamos no Lotus e houve uma melhora imediata", diz a mãe de Harry. Um tornozelo fortemente contraído para dentro para o qual os seus médicos sugeriram botas especiais, imediatamente passou para a posição normal. Sua salivação excessiva, para a qual seus terapeutas haviam sugerido exercitar áreas próximas às glândulas salivares, pareceu mais evidente mas desapareceu nos meses seguintes. "Nós precisamos usar o Lotus em nós mesmos, e Harry agora o usa três vezes por semana". Cornelia Selkirk agora trabalha com o sistema para avaliações. Ela é um dos mais de 30 instrutores ou especialistas em 12 países que começaram a trabalhar com o Alphalearning.

 
 


Harry Selkirk, 1 ano após a 1 a sessão com o Brainwave - equilíbrio perfeito.


A resposta da comunidade médica foi chocante - uma indicação das dificuldades que o Instituto ainda terá que enfrentar. "A pediatra de Harry estava terrivelmente tensa", diz Cornelia Selkirk. "Ela olhou e disse que não havia diferença, quando claramente havia. A fisioterapeuta no entanto teve uma reação mais positiva. Ela se aproximou, examinou o equipamento e imediatamente aceitou usá-lo. No todo, nós encaramos uma grande negatividade do corpo médico. Eles estavam totalmente em desacordo conosco", diz ela. "Eles não estão abertos a novas idéias - embora outros pais tenham tido experiências ainda mais positivas, especialmente aqueles como Wendy Lees, mãe de James, que literalmente iniciou uma segunda vida graças ao Alphalearning".

James, o segundo filho de Wendy Lee, nasceu em Zimbábue em abril de 1963. No seu parto ele teve apresentação de face, ficou preso atrás da pélvis de sua mãe e finalmente nasceu com sangue escorrendo de seu nariz e ouvidos, tendo uma depressão em um dos lados da sua cabeça. De volta ao Reino Unido os médicos do Wolfson Centre confirmaram que a seção motora do seu cérebro havia sido danificada - e era a causa da sua fraqueza física, hipersensibilidade e dificuldades mentais.

James cresceu lidando com problemas emocionais associados com o fato de que ele se recusava a aceitar as suas deficiências e se envergonhava pela sua maneira de caminhar, sua fala enrolada e a sua inabilidade de melhorar a sua parte motora, como escrever. Um encontro com o Alphalearning foi organizado pela sua mãe, levando James para Maastricht. A Sra. Lees escreveu posteriormente toda a história e a enviou para o Alphalearning como um agradecimento.

"Nos disseram (no Alphalearning) que se fosse o caso de alguma melhora, ela seria perceptível em horas. Nós deixamos o Instituto no início do anoitecer e mantínhamos o olhar em James. Mais tarde fomos a um restaurante com alguns amigos que haviam vindo ao Instituto conosco com o seu filho Nick. Yvonne disse que ela pensava estar ouvindo James falar mais claramente. Eu e John também havíamos reparado e ficamos assustados que outra pessoa tenha sido a primeira a apontar alguma melhora."

"No entanto nós não esperaríamos mais que um dia para uma prova conclusiva. Depois de tratamentos adicionais, no caminho para casa, nós estávamos no Aeroporto Schiphol se aproximando  de uma grande escada rolante descendente e, como sempre, segurando James para equilibrá-lo. Então, sem uma palavra, ele entrou na escada sem qualquer ajuda como se houvesse feito isso por toda a vida. É necessário adicionar que ele estava também carregando a sua bagagem. John e eu quase caímos pela escada com o choque. James seguiu o seu caminho a nossa frente e se dirigiu para descer uma escada de mármore, novamente sem ajuda. Nós percebemos então que os tratamentos haviam funcionado. Dentro de uma semana uma estação Brainwave I chegou a nossa casa e, junto com um computador, foi colocado junto à cama de James."

Por que quase a totalidade dos pais mantêm silêncio? De fato, por que o Sistema Alphalearning não é mais amplamente conhecido? Cornelia Selkirk diz que eles mantêm silêncio por medo de fazer perder o progresso de seu filho. Para o Alphalearning Institute, a pergunta é mais complexa.

Quando se tornou mais claro que o que se iniciou apenas como uma maneira de ensinar executivos a lerem mais rápido havia se tornado uma explosiva revolução médica, o Instituto teve que decidir qual era o seu ramo profissional. "Há 200.000 pessoas trabalhando no negócio de dislexia apenas nos USA". "O que eles irão dizer quando nós contarmos a eles que a dislexia não existe?". Tendo feito uma primeira explanação de algumas das suas descobertas num encontro fechado sobre psicologia de transe na América, em 1990, o Alphalearning Institute foi avisado que ele teria que provar suas alegações antes de fazê-las públicas, "ou seria crucificado".

O Alphalearning Institute se propôs a testar o sistema em mais 500 pessoas, com pelo menos mais 1.000 EEGs antes de dizer qualquer coisa. A 500a pessoa passou pelo sistema no verão de 1995, pouco antes do Alphalearning Institute ir à público. "Prova" é um conceito complexo - assim como "cura". Por um lado, tem havido uma diminuição da racionalidade nas últimas décadas. A ciência como a única árbitra verdadeira tem exercido o papel de acusadora. Por outro lado, como convencer as pessoas de alegações incríveis? Como mobilizar o governo e as organizações de saúde para oferecerem acesso a uma tecnologia herege como essa? Uma Estação Brainwave custa atualmente US$ 14.000, incluindo um treinamento de 5 dias, necessário para a compra do equipamento.

O Professor Rainer Dieterich, psicólogo e decano da Bundeswehr University em Hamburgo é um dos poucos acadêmicos explorando o Brainwave I (ele tem duas estações no seu laboratório). Ele acha a abordagem do Alphalearning promissora, não sendo ligada a teorias específicas e não influenciada por qualquer ideologia - raro no campo da psicologia. "O que ele precisa é que as suas idéias sejam acompanhadas por pesquisa científica e experimentos de acordo com os padrões da psicologia experimental. Este é o motivo de estarmos em contato".

Se você entrevista cientistas, eles têm por profissão o ceticismo. Se eles vissem as alegações do Alphalearning Institute, eles tentariam confirmar se elas são verdadeiras ou falsas. Poderiam ser falsificações? Dieterich concede que poderiam, "Mas eu não tenho qualquer indicação de que sejam falsas. Ele me dá os seus dados e não tem vantagem em me fazer acreditar. Eu acredito nele? Sim, por que não? Eu tenho observado alguns de seus sucessos e participei duas vezes em seu curso de 5 dias - a segunda vez com a minha esposa".

"Mas eu tenho que ser sistemático e ter uma teoria que seja consistente com ela própria. Se o Alphalearning Institute precisa de uma teoria com boa lógica interna e prova experimental, nós poderíamos oferecer isso. Não há nada nos experimentos do Instituto que seja teoricamente implausível".

Saskia Egeler-Peerdeman, neurocirurgiã no Amsterdam’s Free University Hospital comenta "Eu aceito que você pode influenciar o cérebro de fora - é assim que aprendemos. Tratamentos de eletrochoque têm sido usados para tratar depressão, e eu conheço um paciente que foi operado em meditação sem anestesia. Eu não penso que você possa chamar (Alphalearning) cirurgia, eu chamaria reprogramação - isto seria mais lógico".

Peter Selkirk, da companhia Raychem aponta que há "um universo de alegações pelo mundo, e é quase impossível dizer o que tem valor e o que não tem - e é exatamente esta situação, que sustenta a maneira já aceita de fazer as coisas - a maior razão pela qual comumente avanços genuínos soam como nonsense. Eu temo que o curso tenha maior probabilidade de ser rejeitado que aceito", diz Selkirk. "Ele requer um certo tipo de abertura para aceitá-lo. Mas esta experiência mudou toda a nossa maneira de olhar a vida - ela é parcialmente filosofia e parcialmente tecnologia".

Selkirk teme o dano que poderia ser causado por uns poucos exageros na tendência de provar e medir tudo. "Muitas das mudanças experimentadas são inerentemente difíceis de provar, fazendo disso um jogo fácil para intrigas. A tecnologia já é poderosa o suficiente sem entrar neste mérito". A verdadeira medida do Alphalearning, diz Selkirk, é com os seus clientes - e eles têm dado um forte apoio. Finalmente, "a idéia de que você pode controlar o seu cérebro é algo profundamente significativo e que oferece uma liberdade que, em si, é realmente um fim maior".

"Você pode dizer que isto não deveria funcionar", diz o diretor de pesquisas do Alphalearning, "e francamente, eu tenho uma pequena idéia de como acontece. Mas você não pode dizer que não funciona - o Instituto Alphalearning tem mais de 100.000 páginas de dados, 500 pessoas e 1.000 EEGs que provam que funciona".

É importante que a sociedade leve as alegações do Alphalearning Institute seriamente simplesmente porque, se são verdade, elas realmente representam uma nova área de tratamento médico e educação. Muitas condições que são atualmente difíceis de tratar - ou apenas a são através de medicamentos que danificam o cérebro - poderiam ser aliviadas. Centenas de milhares de crianças na escola poderiam ser ajudadas.

E, numa era de stress, violência e destruição ecológica crescentes, poderíamos todos usar alguma sabedoria.

   Jules Marshall é um escritor de tecnologia e cultura, assim como um designer de multimidia que vive em Amsterdam. Como editor da MEDIAMATIC e escritor do magazine WIRED, ele também tem sido publicado em ELLE, THE GUARDIAN (UK), SYDNEY MORNING HERALD (Austrália), WIENER (Alemanha) e COURRIER INTERNATIONAL (França).

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