Vida após a dislexia - Julia Lowes - Alphalearning Brasil - Neurofeedback, Treinamento Cerebral e aprendizado

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Julia Lowes

 
 

A História de Julia Lowes

   O trecho inicial abaixo é do jornalista de Jules Marshall, com fotografia de Floris Leeuwenberg, O texto foi produzido como resultado do seu acompanhamento, de 1992 a 2003, do Alphalearning. Copyright 1995 - 2003: Jules Marshall / TCS.

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(...) Sem leitura, sem acesso ao restante do currículo e numa economia dirigida pelo conhecimento, o investimento sem resultado para um disléxico e o impacto de constantes falhas para a auto-estima de uma criança é debilitante - não deveria causar surpresa que 66% dos prisioneiros nos Estados Unidos são analfabetos funcionais.

Pergunte a Julia Lowes sobre dislexia. Sua psicóloga educacional, uma especialista em dislexia, diagnosticou Julia "disléxica severa, de fato uma das apenas seis genuínas disléxicas que ela encontrou em 16 anos". Ela eventualmente e relutantemente fez o curso do Alphalearning em 1994, depois de ter sido atormentada pelo seu irmão, que descobriu o curso quando tentava desesperadamente voltar à universidade após um dano cerebral decorrido de um acidente automobilístico.

"Com três horas de curso, logo depois da minha primeira sessão com o Brainwave I, eu telefonei para a minha mãe e pedi que ela me comprasse um livro", diz Julia. "Eu imediatamente, e pela primeira vez em minha vida, vi que eu podia relaxar o meu cérebro o suficiente para ver as palavras. É difícil descrever, sem falar ensinar: como você 'relaxa' o seu cérebro?" Tem havido uma melhora gradual desde então, com a sua velocidade de leitura vindo de 3 palavras por minuto para 500 ppm.

Quando Julia e a sua mãe voltaram para a sua psicóloga educacional, ela "arrogantemente explicou como todos os tipos de mudança podem acontecer, adolescência, etc. Ela pulou as partes 2 e 3 do Wechsler (teste de QI) para evitar a discussão e o confronto com as mudanças reais que haviam ocorrido, mudanças que apenas poderiam ter vindo do curso", diz a sua mãe Pippa. "A psicóloga simplesmente bateu com a porta na nossa cara".

Julia era uma tratadora de cavalos olímpicos, e quando ela comprou o Brainwave I ela o levou para o seu trabalho. Em pouco tempo vários jockeys e treinadores notaram o quão calmos estavam dois dos cavalos que Julia cuidava. Eram justamente os dois mais próximos ao seu PC, o que fez retornar a sua mente as alegações do Alphalearning Institute que "ondas cerebrais são contagiosas" - talvez até mesmo para os cavalos?

Ela teve a sua chance de testar a sua teoria em Dubai, para onde ela foi levada pelo Alphalearning Institute, que estava ministrando um curso privado para dois Sheiks. Um tinha um cavalo cinza de 8 anos, avaliado em USD 400.000, que era impossível para qualquer um se aproximar sem causar uma extrema aflição. Seu veterinário estava tendo dificuldades crescentes de se aproximar mesmo com o animal tendo a cabeça amarrada, e só podia ser montado após uma batalha longa e cansativa. Ela colocou os headphones sobre a nuca do animal e segurou as luzes em frente aos seus olhos - tudo filmado pelo Alphalearning - e, incrivelmente, o sistema parecia funcionar em animais também. "Todos olhavam para mim !" ria Julia. "Seus queixos quase tocaram o solo quando viram o cavalo me seguindo como um meigo animal de estimação, em apenas vinte minutos"


 


Julia Lowes (esq.) coloca eletrodos adesivos num cavalo de corrida. Os eletrodos, ligados ao módulo de EEG do Brainwave que por sua vez liga-se ao computador, permitirão uma leitura do EEG do animal.

              
O toque permanece importante mesmo num tratamento tecnológico. Julia toca a sua testa no cavalo enquanto usa luzes e sons para alcançar uma unidade com o animal.

 
 

Julia ainda treina cavalos - de fato, ela é a primeira "encantadora eletrônica de cavalos" do mundo. O seu trabalho, ao custo de € 1.000 por dia, é requerido por Sheiks de Dubai a Haras da Inglaterra (apenas Monty Roberts - o primeiro "encantador de cavalos" - é mais rápido que ela).

"É um mundo conservador este do treinamento de cavalos, ainda que esteja voltando o seu olhar para remédios e terapias alternativas", diz ela. "As pessoas têm sido bastante céticas. Eu lembro de um velho Sir Inglês chamando a minha técnica de 'mumbo jumbo' mas ficando chocado depois que eu fiz a primeira sessão. Ele não podia acreditar que era o mesmo cavalo".

Mas a real paixão de Julia está em ajudar crianças como ela. "Inúmeras portas da indústria da dislexia têm sido batidas na minha cara. Os institutos simplesmente não querem saber. Eles temem que todos perderão os seus trabalhos, embora eu acredite que haverá mais trabalho para eles com este equipamento".


Julia Lowes

Inglaterra



Quando eu nasci, aparentemente foi um parto bastante difícil e alguns problemas ocorreram. Finalmente decidiram por uma cesariana e houve falta de oxigênio no meu cérebro.

As primeiras memórias de quando eu era disléxica e as coisas começaram a ir mal foi quando eu tinha 4 ou 5 anos. Eu havia ido muito bem nos anos anteriores quando subitamente muitas coisas começaram a ir mal e me colocaram para cursar o mesmo ano novamente. Eu tive muitos problemas com a leitura.

Minha primeira memória real é de quando minha mãe me levou para um oftalmologista para se certificar que não havia problemas com a visão. Este foi o primeiro pensamento para explicar as minhas dificuldades com a leitura. O médico me disse que eu tinha algum problema de visão e que eu precisaria usar óculos e parar de montar cavalos. Bem, sendo uma criança e tendo ouvido isto eu não fiz menos que um grande escarcéu. Eu me lembro da minha mãe inquirindo o médico e dizendo que meninos que usavam óculos não paravam de jogar futebol. O médico disse "sim, eles deviam parar". Minha mãe realmente não acreditou na idéia e então me levou a alguns especialistas em Londres que não encontraram problemas nos olhos. Havia um pequeno problema, mas nada de significativo com os meus olhos.

Eu não me lembro muito daquela época, mas eu me recordo claramente de chegar em casa com palavras que eu tinha errado ou que não conseguia ler pois eu tinha que colocá-las numa pequena caixa. Eu deveria revisá-las uma após outra várias vezes para aprendê-las, mas isso não ajudava muito. Então nós nos mudamos e eu fui para uma outra escola, meus pais se separaram, minha mãe voltou comigo para a sua cidade natal e eu passei a frequentar a mesma escola que ela frequentou, o que me deixou muito feliz. Mas ainda assim eu tinha problemas com a leitura.

Eles sugeriram que eu fosse ao hospital infantil da Great Ormond Street, e assim fizemos. A Dra. Lodascher me diagnosticou como disléxica aos meus 8 anos. Ela sugeriu algumas poucas coisas para a escola e estava indo tudo bem. Então a escola, quando eu cheguei aos 9 ou 10 anos, disse para a minha mãe, "Sentimos muito, mas não poderemos levar a sua filha para a próxima série porque ela de fato precisa ir para uma escola para disléxicos". Eles não sentiam que poderiam me ajudar, o que era realmente sincero na época, mas o que eu sentia era que apesar do meu grande esforço ninguém mais me queria. Eu havia tentado a escola e havia falhado.

Nós procuramos várias escolas e surgiu uma em Eastbourne chamada Chance Hall. Era um internato e eu não acreditava que realmente queria ir para lá, mas era o melhor para minha dislexia. Eu não queria deixar minha mãe e nem a minha casa, mas ainda assim eu fui. Desde o primeiro dia eu a odiei. Ela tinha uma unidade especial para disléxicos, mas eu não acho que alguma vez isso tenha ajudado. Eu odiava o lugar e era muito infeliz por lá.

Minha mãe tentou me tirar de lá mas o meu pai entrou com uma ação na justiça obrigando a minha mãe a me manter naquela escola. Minha mãe me via chegar em casa todos os fins de semana em lágrimas e não querendo voltar para lá. Eu me lembro de odiar esta situação. Eu sonhava em sair correndo de lá para bem longe, qualquer lugar. Eu estava lá há um ano e eles me passaram de série e me tornei a única menina na minha turma.

Os meninos me provocavam como você não pode acreditar. Não brinque com ela - ela pode ser contagiosa!

Eles deixavam claro que eu estava em evidência e eu me sentia uma total estranha e sabia o por que. Nada fazia sentido. Então minha mãe insistiu até persuadir o meu pai para que ele me deixasse sair de lá.

Nós tivemos grandes problemas tentando encontrar uma nova escola. Eu me sentia como se houvesse feito algo errado e estivesse sendo punida por isso e por causar tantos problemas para a minha mãe. Eu era uma criança muito infeliz e a minha mãe não conseguia uma escola que me aceitasse até que aos meus 10 ou 11 anos eu tive um tutor por um ano que ajudou um pouco embora eu continuasse a me sentir profundamente diferente. Eu nunca conseguia realmente fazer amigos e andava sempre solitária, me sentindo punida por alguém por ter problemas com a minha leitura. Nada fazia sentido. Junto ao meu professor tutor eu comecei a fazer progressos nos estudos.

Minha mãe eventualmente encontrou uma adorável escola em Surrey e eu fui para lá em março quando tinha 12 anos e eu adorei o lugar. Era uma pequena escola, em torno de 23 alunos, meninos e meninas e o diretor se tornou o pai que eu nunca tive. Eu o adorava e a atmosfera do lugar era tão calma que eu comecei a gostar da escola e fiz vários amigos por lá - eles tinham cavalos e eu podia montá-los, ser feliz, e ir bem na escola. Minha leitura e dislexia melhoraram um pouco. Eu estava lá por um ano e meio quando eu tive que sair porque a idade limite era de 13 anos para aquela escola.

Então eu fui para a escola estadual local, o que foi um problema pois eu havia estado sempre em escolas particulares e falava com um sotaque das pessoas de classe mais alta. Eu estava novamente na berlinda por causa do meu sotaque e por ter sempre estudado em escolas particulares.

Minha primeira memória daquela escola é de estar sentada em aula no primeiro dia. Era uma aula de Inglês, e a professora ia descendo a sala pedindo que os alunos lessem em voz alta - e agora eu me vejo sentada lá cada vez mais assustada, com as lágrimas escorrendo aguardando a minha vez e totalmente assustada. Até mesmo falar sobre isso agora me traz lágrimas aos olhos.

Eu estava com tanto medo que, quando chegou a minha vez, eu juntei coragem suficiente para dizer à professora "Você sabe que eu sou disléxica, eu não deveria ter que ler assim, isso está errado". E ela me disse "Não sabemos nada sobre você ser disléxica". Então, eu tive que dizer isso a todos os meus professores. Eu tinha que me levantar e ser feita de idiota dizendo a todos que eu era disléxica. Eu odiava aquele lugar, mas como só me faltavam dois anos eu fui aguentando.

No seu tempo, com a minha mãe ajudando muito, eu consegui alguma ajuda adicional pois eles não pensavam que eu era ruim o suficiente - já que eu não era estúpida. Sendo uma escola pública eu não os levava muito a sério. Eu era mais inteligente que os idiotas locais, aqueles que não iam bem na escola. E eu sabia que podia fazer melhor. Quando eu tinha alguém que lesse para mim, eu sempre ficava entre as melhores, mas quando não tinha, sempre fracassava.

Em algum momento minha mãe contratou uma professora particular para aulas extras de leitura. Foi uma professora que eu amava muito e assim melhorei um pouco. Chegou a época dos meus exames de matemática do 5° ano (minha matemática sempre tinha sido muito boa, o que ninguém conseguia entender - olhando para trás agora que eu entendo sobre danos cerebrais, isso passa a fazer sentido).

No meu exame, eles me fizeram ficar de pé e então o professor disse algo como "essa menina não pode ganhar a nota máxima em matemática porque ela é disléxica e não pode ler o exame. Ela falhará e nós teremos que reprová-la"

Todos os meus colegas faziam as provas e eu me sentia como uma tola. Eu estava tão frustrada sabendo que eu poderia fazer a prova se apenas alguém a lesse para mim pois eu era realmente boa em matemática. Era como bater a sua cabeça contra a parede sabendo que você poderia fazer a prova e que apenas a leitura era um problema.

Eu sabia que eu era inteligente. Minha mãe sempre me dizia que se eu pudesse ter um pequeno camundongo sentado comigo que me lesse tudo eu iria muito bem e iria para uma faculdade. Naquela época eu não queria falar sobre faculdade. Eu imaginava que não haveria maneira de ir para lá e que eu não conseguiria nem mesmo terminar a escola.

De qualquer maneira, alguns meses depois, minha mãe, meu tutor da última escola e minha professora de leitura, todos juntos, conseguiram que eu tivesse um leitor e tempo extra durante as provas. Se eu tivesse em alguma outra escola, eu poderia até mesmo ter alguém que escrevesse para mim e muito mais oportunidades, mas parecia que problemas políticos da minha escola me permitiam apenas um leitor.

Eu me sentia culpada porque havia um outro menino na minha aula de Inglês que era pior que eu e, como os seus pais não brigavam por ele, ele não conseguiu nada, nenhuma ajuda. Sempre me lembro disso porque eu sempre sentia que se eu não tivesse minha mãe e outras pessoas me ajudando eu teria ficado como ele.

De qualquer forma, eu passei muito bem pelos exames e finalmente chegou a hora de sair da escola. Eu estava radiante por terminar a escola e parar de me sentir inadequada. Eu sentia que eu não pertencia a qualquer lugar porque eu era inteligente mas havia sido colocada com idiotas. Eu sei que isso não soa muito apropriado mas era exatamente como eu me sentia. Eu não quis saber sobre escolas por um tempo muito, muito longo. Eu sempre dizia que pensaria sobre isso no ano seguinte, e estava muito feliz e minha mãe não discordava de mim.

Com o passar dos anos após sair da escola e quando eu fui para a Austrália eu estava feliz e pensava - o que importa se eu sou disléxica? É algo com o que tenho convivido e que as pessoas não dão a mínima. Essa atitude me ajudou a falar mais sobre isso com as pessoas.

Foi apenas quando eu deixei a escola que eu passei a me sentir confortável em dizer às pessoas, como meus novos chefes "por favor não me peça para ler ou escrever algo pois não sou boa nisso por ser disléxica". Mas isso foi apenas 8 anos após ter sido diagnosticada e atualmente eu posso falar sobre isso como nunca antes.


   A vida foi passando. Eu fiz um curso no Alphalearning Institute e como a carta que eu pude escrever logo após o curso diz;

   "Obrigado pela sua ajuda. Tenho feito meus exercícios e já li mais da metade do meu livro. Não posso agradecê-lo o suficiente pelo que você fez por mim. Abriu um mundo totalmente novo.


   É muito difícil saber agora onde começar e qual direção seguir. Dizem que a vida começa aos 40 mas a minha começou quando meu irmão o encontrou e me pressionou duramente até que eu aceitasse fazer o seu curso.


   Meu namorado, minha mãe, as pessoas com as quais eu trabalho não podiam acreditar que eu era a mesma pessoa. Agora eu tenho a confiança que eu nunca tive antes. Espero que a sua viagem esteja indo bem e que você possa ajudar mais pessoas. Manterei contato"


Julia


Isso foi há um ano e agora eu já li outro livro e estou a meio caminho de mais um e, realmente, pela primeira vez na minha vida, estou adorando ler. Penso sempre em ler umas duas páginas quando vou para a cama. Sei que não é muito mas estou realmente querendo ler e frequento livrarias que agora não me enchem mais de horror. Estou mesmo começando a gostar desses passeios.

Eu estava de férias logo antes do Natal e essas ocasiões eram habitualmente entediantes para mim, mas eu sempre estava por perto e fazia outras coisas quando as pessoas começavam a ler. Agora, olhando para trás, eu nem me lembro bem o que fazia enquanto os outros liam. Dessa vez eu peguei o meu livro, desci para a praia e li algumas páginas, depois as li para o meu namorado e ele não pôde acreditar na mudança em mim. Isso foi apenas 3 dias depois do curso no Alphalearning Institute.

Não tinha como agradecer o suficiente ao Alphalearning Institute, e ainda não tenho. Espero poder ajudar outras pessoas através desta carta, tenho esperança que Deus me ajude a preservá-las da dor e da agonia pelas quais eu tive que passar antes de achar a cura da dislexia.

Minha mãe foi sempre ótima, meu pai não foi de muita ajuda. Eu me lembro da minha avó me segurando e me sentando quando eu tinha uns 12 anos (ela já faleceu agora) e dizendo que eu tinha que estudar numa escola e me esforçar muito para conseguir uma boa formação - e me lembro de odiá-la pela pressão que ela exercia assim. Agora que eu sou uma pessoa muito mais forte eu posso perdoá-la, mas não naquela época.

Espero poder impedir que alguém passe por todo este problema e pela ansiedade que vivi. Isto realmente me faria muito melhor.

Obrigado por tudo.

Sinceramente sua,

   Julia Lowes
NOTA:: Julia continuou a trabalhar com a sua Estação Brainwave I e além do seu trabalho com cavalos, decidiu se tornar instrutora junto ao Alphalearning Institute se especializando em dislexia. Ela melhorou a sua leitura de 3 palavras por minuto para 500 ppm (a média de uma pessoa formada na faculdade é 225 ppm). Ela pode ser contatada através deste link.

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